Percebi nos últimos dias o quão sortuda tenho sido. Tenho uma família linda, um marido ótimo e dois filhos que são maravilhosos. Sim, é claro que tenho dias bons e ruins, que me estresso muito, que enfrento engarrafamentos, brigo com MrD porque não quer comer ou tomar banho, fico extremamente preocupada com qualquer nariz escorrendo ou dor de barriga, enfrento vários tipos de problemas atrás de outros, fico morta de cansaço no final de TODOS os dias, acordo zonza de sono quando MrT resolve dar uma chorada de madrugada, resolvo quinhentas mil coisas ao mesmo tempo sem descansar (às vezes) nem um minuto sequer. Digo que começo a trabalhar quando abro os olhos pela manhã e só termino quando os fecho à noite para dormir. Então, confesso, houve dias que eu achava que era demais e que não dava pra agüentar.
Houve também aqueles dias, nos quais MrT me deu vários sustos seguidos, que fiquei tão assustada, tão apavorada, que ficava paralisada sem saber o que pensar.
Então, um dia eu lia algum blog que não me lembro qual, quando encontrei um link para o blog de uma mãe que narrava o que vem passando há alguns meses. Sua vida ótima e normal tinha se transformado em grande sofrimento desde que descobrira que sua única filha possui um tipo raro de câncer. E daí, passei a seguir sua história e seu sofrimento tentando salvá-la de toda aquela dor. Hoje ela está muito bem. Ótima. Surpreendeu a todos com sua recuperação. No entanto, através dessa mãe e da capa da Veja SP, eu soube de outra menininha, a Giulia, que com apenas um ano e oito meses, lutava pela sua vida contra o câncer no GRAAC. Gente... nem sei como dizer o que sinto. Também acompanhei sua história, que teve um final muito triste no dia 22 de maio. Fiquei realmente muito chocada. Eu NUNCA acompanhei história nenhuma de alguém que eu não conhecesse, mas a Giulia era diferente. Rezei muito por ela e sua família. Acho que mais até do que já rezei pela minha própria. Acho que por ser mãe de um bebê de oito meses, sinto como se fosse minha a dor daquela mãe. Impossível uma mãe não se mobilizar em favor de outra numa situação dessas. Estou num luto profundo.
De qualquer forma, Giulia deixou uma lição enorme. A de que pessoas ainda são boas e ainda se mobilizam sem esperar nada em troca. Apenas por querer ajudar e ver o outro bem. Surgiram pessoas que ajudaram a montar uma campanha, um site, ajudaram a divulgar que ela precisava imensamente de doações de sangue. Surgiu muita ajuda de todo canto do país, de todo tipo de gente. Milhares de pessoas. Bonito e surpreendente de se ver.
Quanto à mim, posso dizer que desde aquele dia que conheci sua história, não sou mais a mesma pessoa. Aprendi que reclamar de coisas pequenas, de gripes, de dores de barriga, de narizes escorrendo, de alergia alimentar, ou de qualquer coisa que possamos curar, contornar e sobreviver é injusto. Somos sortudos de podermos apenas ter um resfriado ou uma alergia em nossos filhos para nos preocupar. Devemos dar graças à Deus quando são esses nossos “problemas”, pois existe coisa muito, muito, mas muito pior por aí. E apesar de já ter ouvido discurso parecido com esse outras vezes, nunca havia realmente presenciado algo que me fizesse entender o verdadeiro significado disso. Portanto, fica a dica: toda vez que o filho de cada uma de vocês estiver com algo desse tipo, lembrem-se que poderiam estar muito mais fragilizados e agradeçam, ao invés de se entristecerem. É o que venho tentando fazer. É um aprendizado.
À Giulinha, espero que tenha se tornado um anjo iluminado, que fez milhares de pessoas desconhecidas se conectarem para ajudar o próximo. Talvez esse seja o seu legado.
Sou muito sortuda, gente! Minha família está linda e saudável! Não me esquecerei jamais de agradecer por isso todos os dias !
Beijos,
Grazi.
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Pra quem quiser conhecer a história dessas pequenas guerreiras:

